FAQ's
 

1 | O conceito de compensação não é contrário à necessidade de reduzir emissões? Pagar pela compensação significa comprar o direito de poluir?

2 | A compensação de emissões efectuada através do CarbonoZero pode ser utilizada, para efeitos de cumprimento, por entidades sujeitas a regulamentação?

3 | CarbonoZero é uma organização sem fins lucrativos ou um negócio? Quais são as entidades responsáveis pela marca?

4 | Existe alguma entidade independente que garanta que as metodologias, os processos e a gestão do CarbonoZero são adequados?

5 | Quais são os critérios para selecção dos projectos de compensação CarbonoZero?

6 | As florestas são formas efectivas de retenção de carbono a longo prazo?



1 | O conceito de compensação não é contrário à necessidade de reduzir emissões? Pagar pela compensação significa comprar o direito de poluir?

A solução para as alterações climáticas implica certamente uma redução significativa dos níveis actuais de emissão de gases com efeito de estufa. Isso significa introduzir alterações profundas na forma como vivemos actualmente, alterações necessárias, mas que não são possíveis de um momento para o outro. O objectivo do CarbonoZero é precisamente criar um instrumento que permita agir, de forma concreta e imediata, em complemento a alterações mais estruturais.

Ao compensar emissões estamos, de facto, a contribuir para reduzir as concentrações de CO2 na atmosfera. Sendo as alterações climáticas um problema ambiental à escala global, o efeito no clima de uma tonelada de carbono emitida num local pode ser anulado através de uma tonelada sequestrada ou reduzida noutro local. Este é precisamente o conceito subjacente aos mecanismos de flexibilidade definidos no Protocolo de Quioto. CarbonoZero é um instrumento voluntário que pretende ser complementar aos esforços de redução já impostos por via legal a diversos sectores industriais.

Por último, CarbonoZero não significa apenas compensar emissões. Significa, antes disso, quantificar e reduzir. Ao traduzir em kg de CO2 o impacte de actividades diárias de empresas e indivíduos, CarbonoZero confere uma nova visibilidade à questão das alterações climáticas, trazendo-a para o universo de entidades que até aqui estiveram à margem do problema. Ao apresentar medidas quantificadas de redução adaptadas aos diferentes tipos de clientes, CarbonoZero contribui também para um esforço de redução de emissões eficaz. 

2 | A compensação de emissões efectuada através do CarbonoZero pode ser utilizada, para efeitos de cumprimento, por entidades sujeitas a regulamentação?  

Não, CarbonoZero é um instrumento estritamente voluntário, que pretendemos seja complementar aos esforços de redução impostos por via regulamentar.

Por razões de coerência e de credibilidade, as metodologias que utilizamos são semelhantes às estabelecidas nos instrumentos legais que regulamentam internacionalmente a emissão de gases com efeito de estufa. O nosso objectivo é garantir aos nossos clientes que ao compensar as suas emissões através do CarbonoZero está a gerar um benefício ambiental semelhante aquele que deve ser demonstrado por entidades que estão sujeitas a essa regulamentação. O cliente CarbonoZero não pode utilizar os créditos de emissão correspondentes a essa compensação para efeitos de cumprimento de limites legais de emissão.

No entanto, uma entidade que tenha as suas emissões parcialmente regulamentadas – por exemplo, uma empresa com unidades industriais abrangidas pelo Comércio Europeu de Licenças de Emissão (CELE) – pode utilizar o CarbonoZero para, voluntariamente, compensar outras emissões decorrentes da sua actividade mas que não sejam limitadas legalmente – por exemplo as emissões resultantes do consumo de energia e da produção de resíduos nos seus edifícios administrativos.

3 | CarbonoZero é uma organização sem fins lucrativos ou um negócio? Quais são as entidades responsáveis pela marca?

CarbonoZero é um produto de mercado, não subsidiado, que tem que criar as suas próprias condições de viabilidade económica.

CarbonoZero® é uma marca registada da E.Value, S.A., uma empresa de consultoria e desenvolvimento nas áreas da engenharia e economia do ambiente, em particular na economia do carbono.

Para o seu desenvolvimento, a E.Value estabeleceu, em 2005, parcerias com entidades Portuguesas com reconhecida experiência nas áreas da gestão florestal e comunicação, a AFLOPS e a Ipsis | Brandia Central, respectivamente.

Acreditamos que as estratégias de sucesso na abordagem dos problemas ambientais se fazem cada vez mais através de instrumentos económicos que integram o Ambiente na economia, nos negócios e na vida quotidiana. CarbonoZero é precisamente isso, um instrumento de mercado, de natureza voluntária, que permite a cada um assumir a sua responsabilidade individual e remunerar o benefício ambiental induzido pela capacidade de evitar ou sequestrar carbono de determinados projectos.

4 | Existe alguma entidade independente que garanta que as metodologias, os processos e a gestão do CarbonoZero são adequados?

Sim. CarbonoZero é objecto de um processo de verificação externa, realizado por uma entidade independente.

Esta verificação destina-se a avaliar se os critérios, métodos e procedimentos que utilizamos para contabilizar emissões, seleccionar projectos de compensação e alocar os créditos de carbono aos nossos clientes são os adequados e se os utilizamos efectivamente na forma como gerimos o CarbonoZero.

Os processos e procedimentos internos são avaliados anualmente, a partir do primeiro ano completo de funcionamento (2006) e os resultados são públicos.


5| Quais são os critérios para selecção dos projectos de compensação CarbonoZero?

A bolsa de compensação CarbonoZero® é constituída por áreas florestais, localizadas em Portugal Continental, que cumprem, cumulativamente, os seguintes critérios:

• possuem uma percentagem superior a 80% de espécies indígenas ou naturalizadasde
• não apresentam espécies classificadas como invasoras
• são geridas de acordo com um Plano de Gestão Florestal que garante um período mínimo de exploração de 30 anos e que, para além dos requisitos legais, integra medidas adicionais de prevenção de incêndios e protecção ambiental
• possuem um plano específico de monitorização de sequestro de carbono ao longo de todo o período de exploração
• foram instaladas – através de plantação, sementeira ou regeneração natural – num período máximo de 8 anos prévio à integração na bolsa de compensação CarbonoZero®
• ocupam áreas que não possuíam ocupação florestal nos seis anos anteriores à instalação, com excepção de áreas ardidas e povoamentos florestais que tenham sido objecto de abate por razões fitossanitárias, de degradação ou de desadequação das espécies
• podem ser visitadas pelos clientes CarbonoZero®, mediante um calendário pré-definido

Os projectos em países em desenvolvimento por nós seleccionados podem ser tanto florestais como tecnológicos. Todos eles são certificados por uma entidade independente.

No caso dos projectos serem de cariz tecnológico garantimos que:
• os créditos de carbono gerados são facilmente verificados por uma entidade independente
• a tecnologia por estes promovida é substancialmente diferente à usada normalmente no local do seu desenvolvimento
• a tecnologia é facilitadora de práticas sustentáveis, nomeadamente de energias renováveis, alteração de combustível | utilização de biomassa.

6| As florestas são formas efectivas de retenção de carbono a longo prazo?

O contrato estabelecido entre o CarbonoZero e os proprietários florestais tem uma duração de 30 anos. Isto significa que, durante esse período, o proprietário se compromete a gerir a área de acordo com todos os critérios de elegibilidade, incluindo a obrigação de não efectuar cortes, com excepção de operações de limpeza e gestão florestal correntes.

Todas as áreas florestais incluídas na bolsa de compensação CarbonoZero têm que possuir um Plano de Gestão Florestal que obriga a medidas adicionais de prevenção activa contra incêndios. As florestas incluídas na bolsa de compensação CarbonoZero estão, por isso, menos expostas a esse risco. No entanto, no caso da capacidade de sequestro da área ser prejudicada – pela ocorrência de incêndios ou pragas, por exemplo – antes do final desse período, o CarbonoZero garante sempre a substituição dos créditos de carbono adquiridos pelo cliente, seja através da replantação da área atingida, seja através da alocação de créditos numa outra área florestal incluída na bolsa de compensação. O CarbonoZero dispõe ainda de uma bolsa de reserva equivalente a 10% dos créditos vendidos para compensação, em áreas florestais diversas das originais. Esta área permite também gerir o risco de indisponibilidade inesperada de créditos de carbono já adquiridos pelos clientes.

Após os 30 anos de contrato, findo os quais termina a responsabilidade da CarbonoZero, as árvores existentes na área florestal poderão manter-se, dar origem a produtos de madeira ou ser utilizadas como biomassa para valorização energética. Em qualquer destas situações garante-se – directamente, por retenção do carbono em produtos da madeira, ou indirectamente, por substituição de combustíveis fósseis - a permanência do CO2 sequestrado por um período de tempo muito longo.


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