|
A composição da atmosfera inclui, entre outros constituintes, um conjunto de gases que permite que parte do calor do Sol que atinge a superfície da Terra não retorne à atmosfera. Este processo, designado por efeito de estufa, faz com que a temperatura na Terra seja a adequada à existência de vida.
Alguns desses gases ocorrem naturalmente, como o dióxido de carbono (CO2), o metano (CH4) e o óxido nitroso (N20). Outros são de origem industrial, como os hidrofluorocarbonos (HFCs), os perfluorcarbonos (PFCs) e o hexafluoreto de enxofre (SF6).
A concentração de gases com efeito de estufa na atmosfera está a aumentar, a um ritmo sem precedentes, em resultado das actividades humanas, e a reforçar o efeito de estufa para além do desejado. Esta alteração está a forçar uma adaptação do sistema climático.
O clima é um sistema extremamente complexo. Não existe uma forma simples de determinar até que ponto o clima irá mudar em resposta ao aumento dos níveis de gases com efeito de estufa. Os cientistas utilizam modelos complexos para simular as muitas interacções entre os diferentes componentes do sistema climático.
O conjunto da informação científica relativa às alterações climáticas tem vindo a ser sistematizado e comunicado pelo IPCC (Intergovernmental Panel on Climate Change), uma entidade que reúne centenas de cientistas de todo o mundo e funciona no âmbito das Nações Unidas.
Os relatórios do IPCC confirmaram a evidência científica da alterações climáticas e concluíram que existem provas mais fortes do que nunca da influência humana nas alterações do clima. |
Os factos
Existem, hoje, novas e cada vez mais fortes provas de que grande parte do aquecimento observado nos últimos 50 anos é atribuível a actividades humanas:
- os registos indicam um aumento de 0,74±0,18ºC na temperatura global média do planeta desde o final do sec. XIX
- os 11 anos mais quentes desde que existem registos (1850) ocorreram nos últimos 12 anos, sendo 1998 e 2005 os dois anos mais quentes
- o nível médio do mar subiu 17 cm ao longo do século XX
- a cobertura de neve diminuiu 10% desde o final dos anos 1960 nas médias e altas latitudes do Hemisfério Norte. Durante este período, quase todos os glaciares de que há registos em regiões não polares retrocederam. Quase dois terços dos glaciares dos Himalaia retrocederam na última década e os dos Andes têm vindo a retroceder drasticamente ou desapareceram
- a temperatura média anual do Árctico tem aumentado a uma taxa duas vezes superior à do resto do mundo, nas últimas décadas, e a extensão da cobertura de neve naquela zona reduziu-se em 10% nos últimos 30 anos.
As espécies e os ecossistemas já começaram a responder ao aquecimento global. Algumas espécies de plantas da região dos Alpes estão a deslocar-se para altitudes superiores a um ritmo de 1 a 4 m por década e outras, que sobrevivem apenas no topo das montanhas, já desapareceram. Foram observadas alterações nas migrações de aves, no crescimento de colheitas e no movimento de insectos sensíveis ao frio para latitudes superiores.
|